Escritos para você

30
Mar 12

Para Esther 

 

Aprendi que existe dois tipos de solidão: aquela desejada e a provocada por circunstâncias, sem a vontade de quem está só. Assim, pelo menos teoricamente podemos optar e isso faz parte da nossa trajetória de vida. Não sei porque isso veio à minha mente… talvez porque esteja muito frio hoje, seja domingo à tarde e a chuva continua escorrendo pelas ruas, pelas calçadas, acostamentos e janelas do apartamento e especialmente pela minha alma.

 

Vejo televisão, ou pelo menos finjo para mim mesmo que o faço, tentando disfarçar o que já sei. Sequer me interesso pelo programa, de todo feito para imbecis. Ritualmente abro a porta do meu apartamento em busca de algo ou de alguém que possa estar circulando pelo corredor… Ninguém. Aqui e ali uma luz âmbar ultrapassa os desvãos de algumas portas, indicando que há pessoas em alguns dos apartamentos e é só. Fecho a porta e retorno para meu espaço interno. De pé, olho para cada um dos móveis como se fosse pela primeira vez.

 

À mesa, meu filho tem sete anos e conta suas histórias, do que está fazendo na escola, e sorri amorosidades que as crianças possuem de modo espontâneo e cálido. A vida é isso, um banho tépido, um frescor infantil e sem malícia. Agora minha mulher circula entre o quarto e a cozinha, com seus olhos rápidos e seu corpo ágil. Num instante e ela sorri para o filho, enquanto põe seus olhos em mim. A xícara, como fui esquecer de pô-la na mesa, bem na hora do café?

 

Vou para a cozinha, trago o restante da louça. Um gol explode na televisão e tudo automaticamente congela para escutar de quem foi, como foi e se vai haver slow motion. Mais um pouco e a noite irá cair, e enquanto nosso filho estiver dormindo, estaremos abraçados, comentando as coisas do dia-a-dia, os momentos atribulados, preparando mentalmente uma agenda para o dia seguinte. Corte.  

 

Meu primeiro filho, dos quatro que tenho, está estudando no quarto, o vestibular vem aí e as suas inquietações aumentam, especialmente com física e com química. As chamadas ciências duras além, é claro, da matemática. Pouca gente gosta de matemática. Muitos a associam aos rigores da linguagem, às armadilhas do pensamento, às inflexibilidades enfrentadas na vida cotidiana. Meu filho apenas a suporta, não mais que isso. Já são duas horas da manhã, e ele acaba de desligar a luz do quarto. Levanto-me e caminho pelo apartamento. Tudo desligado, posso finalmente dormir. Sempre sou o último a deitar. Passo pelo quarto, olho meu filho, desejo que tenha uma boa noite de sono e caminho para a cama. Corte.

 

O estádio está repleto e quando o Inter entra em campo o Beira-Rio vem abaixo. Cantam-se hinos de torcidas, a alegria nos acompanha como uma cálida companhia. O domingo é de sol e é muito certo, para quem é torcedor, que o Palmeiras será apenas uma vitória a mais do Inter. Naquela tarde o Inter empatou. A sensação de empate é talvez a pior de todas: não é uma derrota nem é vitória, é algo intermediário, que incomoda ao Inter e incomoda menos ao Palmeiras. Voltamos para casa e a sensação não é boa. Corte.   

 

Corte. Corte. Corte. Nada mais existe, as lembranças apenas me trazem esse sentido, esse sentimento de corte. O apartamento está vazio, retorno de meu sonho, os devaneios findaram e estou aqui, parado no meio da sala, olhando as minhas recordações. O computador, esse poderá vir em meu socorro! Vou rápido em direção ao mesmo e ao ligá-lo procuro desesperado por alguma mensagem. Não há nada no messenger, nada no orkut e, na caixa de mails apenas bobagens e piadas (os argentinos diriam chistes, não?) sem graça, mandadas por alguém cujo nome real não é muito familiar.

 

Há também algumas pessoas em sites de relacionamento que dizem querer falar comigo. Uma outra piada, eu sei, apenas contada de modo diferente e por outros protagonistas. Pego o meu celular e tento ligar para um amigo, daqueles que faz cinco meses que não vejo. O número está desabilitado. Meu amigo sumiu. Jogo o celular sobre a cama, vou para sala e desligo a televisão. Poderia ir a um cinema, mas sequer tenho ânimo para pesquisar no google.

 

Finalmente resolvo tomar um banho. Pode ser que a água fria lave bem mais que o meu corpo, pode ser que, de algum modo, alivie a minha solidão. Penso no corredor do prédio e descubro claramente o que sou, quem eu sou e porque sou o que sou. A luz filtrada dos apartamentos e que iluminava parcamente o corredor,  invade minha alma. Sou assim. Uma luz âmbar.

publicado por blogdobesnos às 15:29

Patricinha é um produto que se auto-renova de acordo com as tendências da moda, usando um dispositivo que informa em display quais os acessórios a serem incorporados ao modelo básico.

 

Modelo básico – características básicas biológicas de padrão normal, podendo o(a) cliente optar por modelos com maior ou menor if (índice fashion). Incorpora vestimentas by shopping center com tendências modernosas. Acompanham bolsas e adereços vários. Possui telefone celular com tecnologia VAP e leds coloridos, para você encontrá-la em qualquer tempo e local.

 

Partes que compõe – fisicamente atraente a libido, altura média, cor de cabelo intercambiável, com vago ar de ninfeta e disponibilidade de reality show. Estética média brasileira, com zonas erógenas sensíveis ao toque digital e com tecla SAP para sanear possíveis dúvidas de uso ou manutenção.

 

Modo de usar – mantenha o led “fashion” e a tecla SAP permanentemente ligadas. Com pilhas VCR-2000, de alta energia e baixo consumo de eletricidade. Acompanha bateria e funciona com bivoltagem. Use sua Patricinha preferencialmente em reuniões de amigos, festas, convenções, shopping centers, idas a serra ou praia e atividades intelectuais moderadas, bem como em eventos que aumento a auto-estima geral.

 

Advertências: A futilidade deve ser cultivada, pois aumenta sua capacidade de uso e a disponibilidade dos créditos de natureza libidinosa, de acordo com o led anexo. Se a tecla SAP desativar completamente conforme-se: você terá uma intelectual repressiva.

Claro que não aceitamos devolução!

publicado por blogdobesnos às 15:28

Aliança


Escrever sobre o tempo
(e suas paisagens de lua) é buscar um tema recorrente
um espaço de alma, abraço encantado
e aperto de mão-confiança
fidelis, dolce fidelis

Escondido nos movimentos dos ares
Sutil dizer arrematado nos momentos de tensão
Ou contentamento. Onde a saída do labirinto
Senão na indicação da tua firmeza?

Amigo fiel confidente
Tesouro maior guardadoo nos escaninhos da alma
E nos incensos da memória, conserva em ti o frescor
Da nossa aliança!

publicado por blogdobesnos às 15:07

Não há teu rosto nas estações, ruas ou avenidas

onde habitualmente te encontrava,

e por mais que eu te buscasse entre cafés,

nos lugares que eram nossos,

onde tantas vezes trocamos sonhos, imagens, fantasias,

ou nos deixamos levar pelas realidades

danosas muitas, amoráveis poucas,

mesmo em tais sítios não te encontrei.

 

Assim, ao não te ver,

era como se fugisse de mim mesmo,

um pouco dos meus sonhos,

das vestes com as quais cobria minhas inquietudes

Não,

não estavas mais em qualquer local onde poderias ou deverias

dentro do meu conhecimento

passastes então a habitar somente a caverna das minhas lembranças,

os poemas das minhas noites insones,

a fumaça diáfana dos cigarros e a ilusão

com a qual mantinha eu a esperança

de novamente rever-te

 

Assim enclausurei nossos encantamentos em um velho baú

no qual retenho um pouco de lágrimas,

um tanto de tristeza, muito de alegria,

mas especialmente o sorriso da noite

e a luz neón com a qual me deito

e que me acende no peito um vago torpor de espera,

talvez pelo que eu queira, menos pelo que eu receba,

mas que me aquece enfim,

entre os pedidos desorientados

na busca dos olhos teus.

publicado por blogdobesnos às 14:39

Arabescos

Arabescos, desenhos, pinturas, redemoinhos de vento

Damascos, tâmaras, oásis em quentes desertos e gélidas madrugadas

Profundidades. Ecos. Silêncios.

Isla dourada.

Minha espera, miríades de estrelas em silêncio…

publicado por blogdobesnos às 14:31

Velho, velho, por onde andastes?
Quais os caminhos percorridos,
o que querem dizer, gritar,
exclamar, chorar
cada uma das rugas
que te desenham um rosto marcado
e coberto de histórias?

Velho, velho, já solitário,
tendo por companheira
as suas lembranças e as (des)construções
que te adornaram a passagem da vida
e te fizeram assim,
como um pássaro,
pousar no teu presente.

E porque velho, te pergunto:
porque esse olhar perdido,
essa vontade de ser o que já foi?

Voltar para onde, retomar que caravelas,
se portos não há mais,
se distâncias engoliram teus oceanos,
se domados estão os teus cavalos alados
e tuas mulheres de densas carnes?

Onde estarão agora tuas mulheres, velho?
onde os olhos de paixão que tanto atormentastes,
onde as quentes umidades onde saciastes teus desejos?
por que estradas se corromperam teus sonhos,
que já não tens os toques suaves,
a nudez descomposta e o frenesi da luxúria?

Para onde as mandastes, velho?
que forma destes
para consumir as mãos que te acariciaram,
as bocas que te devoraram em plena satisfação?
onde estarão as mulheres que tivestes,
que desbragadamente usaste,
onde andarão?

Numa esquina qualquer elas te espreitam,
elas continuam sabendo de ti,
mas tu és apenas uma foto,
uma reminiscência,
recordações boas ou más,
é no que o tempo transformou
teu sexo em riste.

E dessas mulheres, velho,
quantas estariam aqui contigo,
e deitariam ao teu lado nas noites ocas,
se não as tivesses espantado,
se não as tivesse desprezado,
se não as tivesse humilhado?

Uma,
ao menos uma para ser testemunha
do que tu fostes,
para te acalentar nos momentos
em que a solidão de tudo te corrói a alma,
te embaça os sorrisos

pelo menos uma que estivesse aqui,
para cantar as tuas glórias
e para zelar pelo teu presente…

Mas não, estás só, terrivelmente só,
tão só que a solidão
transformou-se na amante triste
com quem compartilhas tua intolerância.

A solidão, velho,
velho homem de rugas desenhadas,
tão-só ela é tua companheira,
enquanto, aqui e ali.
uma fumaça azul de cigarro
desenha fugazmente
o tropel que o tempo,
incontinenti,
arremete contra ti.

publicado por blogdobesnos às 14:28

publicado por blogdobesnos às 14:22

O gato estira-se preguiçosamente.
Você entra casa adentro.
O sol invade a sala.
Minúsculos grãos de poeira transformam-se em ouro volátil.
Pulo de cima do sofá e, enternecido,
mio seu nome.

publicado por blogdobesnos às 14:21

Contempla a tua sombra e vê como ela se alonga,
até encontrar a minha alegria.

Contempla teu corpo e,
por mais que queiras que ele vá para a frente
ele reluta: executo a minha vontade,
e estou onde está o meu amor.
E então retorna, vívido, para meu encontro.

publicado por blogdobesnos às 04:43

Não sei se em cada espera

existe apenas a esperança

ou simplesmente o desdém

com possuístes meus sentidos

 

Erro assim entre pólos de solidão e de melancolia

Enquanto aguardo a luz da tua presença,

E talvez, calado, um pouco do teu olhar.

 

Te sinto como uma furtiva felicidade,

talvez uma redenção que me possa embalar a vida

receio pelos invernos e pelos outonos que passarei

vendo os desenhos da chuva na veneziana

fugitivos traços que me lembrarão você.

publicado por blogdobesnos às 04:39

Sou outro e pouco reconheço do que fui, embora insista em procurar, senão o todo, pelo menos traços reconhecíveis de mim próprio o que me parece, por vezes inútil. Colaborei em muito com minha própria perda. Ao longo desta história, ficará claro como me auto-alienei,  o modo pelo qual de muito me apartei de convicções, hábitos, cenários, objetivos, amigos, amores, confrades e mesmo inimigos. Talvez consiga expor como me desconstituí; no entanto há em tudo uma matriz psicológica, uma maturidade de temperamento que é muito difícil de ser superada. Tantas foram as minhas ocupações no sentido de superar o que fui, que desisti, mais por fadiga do que por desinteligência, de parte dos meus propósitos. De todo modo, optei pelo mal, e é bem possível que esse seja o cerne da minha mudança e do fato de hoje não mais me reconhecer, não mais poder sentir com a mesma intensidade e com a mesma volúpia o que antes era tão comum e tão esperável.

 

A opção pelo mal foi consciente; e como dizer isso sem que acorra qualquer comiseração, qualquer sentimento de pobreza, sem que haja um encolhimento de minha humana condição; como ver em mim a degradação dos sentimentos, trocar a inocência pela impudícia, a ética pela corrupção, a beleza de alma pelo vício enojadamente escancarado, a solidariedade pelo egoísmo? Como não confranger-me ante minha pessoa? Por que, hoje em mim não restam dúvidas, senão certezas de que devo permanecer assim, ilhado em minhas pequenas (ou nem tanto) maldades? De certa maneira, simplesmente me habituei à maldade, especialmente às pequenas misérias e tristezas das quais hoje, sou companheiro convicto.

 

Aprendi, contudo, que o mal depura e que a pureza ajuda a degradar. A pureza é branca, virginal, não admite qualquer risco, portanto não admite o pecado, as hipocrisias, as mentiras subreptícias, a sujeira; mesmo a sua poeira deve ser evitada pela superfície imaculadamente estéril do que se estende ante um plano totalmente neutro, como a superfície lisa de um porcelanato. 

 

Não há sangue humano na pureza. A sua construção, ao contrário de grandes movimentos de humanidade, esconde o radicalismo de raça, não admite o que se associa ao deletério, ao que se irá degenerar. As excrescências não habitam a superfície lisa, monocórdia e sem atrito da pureza. Assim, optei pelo que é brutal e não cálido, pelo que é real, e não virtual, pelo que é solitário, não pelo que é compartilhado, pelo contraditório, não pelo consenso, pelo sujo, não pelo limpo, enfim, por tudo que não pudesse em mim despertar o sentido de participação em algo que só existe na imaginação e nos sentimentos pueris de uns pobres coitados. Não sou coisa, por isso não sou um produto; quanto à pureza, lido usando com prazer a máscara que ostentam os algozes.

publicado por blogdobesnos às 04:37

Violeta Parra. Charles Chaplin.Credence Clewatter Revival. Woodstoock. Peanuts. Chico Buarque de Hollanda. Joan Baez. Mercedes Sosa. Edith Piaff. Maysa. Cinema latino americano. Buenos Aires. La Bombonera. Internacional. Boca Juniors. Maracanã. Curitiba. Porto Alegre. San Telmo, Bs As. Caetano Velloso. Gilberto Gil. Gal Costa. Björk. Escola Municipal Chico Mendes. Cleonice. Vó Malina. Meus filhos. A queda do muro de Berlim. A chegada à Lua. A guerra dos seis dias. Bossa Nova. Ye ye ye: a jovem guarda. Roberto Carlos. Frio em Porto Alegre. Ginásio Inácio Montanha. Confeitaria Matheus. Cine Imperial e cine Cacique. Bom Fim. Grêmio Israelita. Licenciatura curta em ciências. Estádio dos Eucaliptos: o jogo final. Sonia Beatriz. Férias no Rio. Meus pais passeando comigo pelo centro de Porto Alegre, após assistirmos um filme. Luzes da Ribalta. La vie en rose. PUC RS. Vinte anos de casamento: fim. Colégio Israelita Brasileiro: eu, o pai do Besnos. Maria Montenegro. Antonio de Pádua. Benjamim Irmann. Menie Goldstein. Kizzy. Vera. Escola. Estudo. Professor. Greves na Prefeitura de Porto Alegre. Departamento Municipal de Habitação: Maria Matté, Freitas, Marisa Pinho. Direito. Advocacia. Festas judaicas. Tio Miguel, Tia Nésia, Tia Inês, minha mãe Paulina. Meu pai Israel. Bar Mitzwá. Centro Israelita. Florianópolis. Ópera de Arame. Dulce Pontes. Ana Rosa da Silva. Fortaleza. São Paulo. Centro de Cultura Dragão do Mar. Apartheid, África do Sul, Nelson Mandella. Meus desenhos. Os desenhos dos outros. Filmes, muitos, muitos. Cinema latino americano. Cinema indiano. Pipoca. Gabriel jantando altas horas da madrugada na São Manoel: queijos, vinhos, dvds. Músicas do mundo. Wim Wenders. Nós que aqui estamos por vós esperamos. Gramado. Sebastião Salgado. EJA. Seduções. Compromissos e horários. A prioridade da noite. Humor. Sensualidade. Fotografias. Relacionamentos. Mulheres. Amigos. Mortes, perdas, enterros, muitos. Paixões, muitas. Significados e significantes. FAPA: conquistas. Mestrado: a falta. Teatro São Pedro. Leituras. Bibliotecas. Computador. Discussões, conversas, escritas.  Gosto por escrever. Blog. Canetas: gosto. Barbarella. O Pasquim. Repressão militar.

publicado por blogdobesnos às 04:32

Às vezes, quando parece que o mundo todo fala, grita, berra, comenta, discute, eu clico a tecla mode. Isso ocorre no auge da confusão e, a partir daí tudo e todos ficam mudos, imóveis, e eu tenho a maravilhosa sensação de ser um deus. O tempo, contudo, continua fluindo, mas de uma forma imperceptivelmente mais lenta, de maneira que quando cessa o efeito da tecla mode, poucos são os que notam micro-diferenças no relógio e - claro – não dão a mínima importância ao fato.

 

Mode é tão poderoso que para tudo ao meu redor; então as dimensões tempo-espaço abrem uma nano-bolha virtual, onde me abrigo de todo o ruído, som e palavrório explodindo ao meu redor. Então eu descanso e me integro ao universo. Cada vez que eu clico o botão mágico, a minha vida diminui exatamente o tempo de duração da bolha.

 

Talvez por isso, por ser uma pessoa desmedida e por não saber controlar minhas ansiedades, eu esteja já tão envelhecido, e minha pele tenha se carcomido tão rapidamente. Tenho tempo para as minhas memórias, e normalmente uso a nano-bolha para escrevê-las, de modo tão lírico que talvez  algum descendente se dê ao trabalho de lê-las, entendendo um pouco mais o que sou (ou o que fui, quando lerem).

 

De todo modo, aqueles momentos maravilhosos me pertenceriam para sempre, me acolheriam. E quando enfim eu encontrasse meu descanso, talvez eterno, talvez não, eu estaria feliz. Poucos são tão bem afortunados, tão agraciados por Deus. Fui ungido, fui escolhido para conhecer a nano-bolha. Eventualmente, quando ao seu abrigo, até neste blog eu escrevo.

publicado por blogdobesnos às 04:16

O homem, já idoso e só, procurou, aqui e ali, as suas justificativas. Achou-as facilmente, estavam espalhadas por sua casa, por sua história. Depois ele procurou os seus amores, que estavam em multigavetas: sexo, paixão, amizade,  reconhecimento, tudo isso e muito mais poderia ser amor. No entanto ele buscou só a palavra amor. Achou e, ali, buscou seu conteúdo: havia alguns nomes, os dos irmãos, os dos amigos.

 

Procurou mais no fundo da gaveta e achou duas fotos antigas, em preto e branco, e reconheceu ser a de seus pais. E quando menos esperava, uma foto três por quatro, já esmaecida pelo tempo, quase saltou-lhe a mão. Mostrava uma mulher bonita, de traços bem definidos e um olhar decidido, que contrastava com a boca pequena, bem feita.

 

Ela, a foto, estava lá, mas ele não a identificou. Estava muito cansado. Viu as fotos dos filhos, e pensou – ingratos! – fechando a gaveta de vez.

 

E lá ficou a foto do seu amor, no fundo da gaveta, sem que ele, das dezenas de vezes que teve oportunidade em sua vida –  a reconhecesse.

publicado por blogdobesnos às 01:41

Não há noites sem lua

Não há palavras sem sentido

Sem sentido muitas vezes somos nós

É bom que sejamos assim

A uniformidade é chata

Esperamos o mocinho que nos salvará

Como em um filme, no escuro do cinema

Sejamos o que nós somos e se o mocinho não vier

Consolemos-nos olhando as noites e aguardando

Os luares seguintes

 

Novembro 2008-11-25

publicado por blogdobesnos às 01:26

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