Escritos para você

28
Mar 12

É, eu sei… Um sentimento vago de melancolia, algo que não foi vivido, mas cuja saudade arde como alcool em uma ferida, uma vontade de retornar no tempo, de encontrar de novo músicas que vivem na minha mente, como se elas me transportassem aos cenários onde foram, pela primeira vez, ouvidas, saudades dos titeres porteños e de suas manipulações, de cheiros e de casas de ruas perdidas entre becos de Buenos Aires, entre calles de Montevideo. Ali, bem ali o corte de vestido revelando o que apenas minha imaginação e desejo desenharam: ombros nus, enfumaçadas visões entre os vapores de vinhos, homens, mulheres, casais nem sempre belos, nem sempre brilhantes, mas intensamente vivos, sedentos em um salão que somente em sonhos vi… cheiros múltiplos dos corpos em danças cubanas ou argentinas.

 

Muito depois, já em outra dimensão, sóis despedaçando-se contra vidraças úmidas de suores, de emanações  viciosas e viciantes, histórias desenhando-se em cada uma das frestas possíveis (a luz nessas horas degenera os ambientes!). Ai, sensações não conhecidas que me habitam, toques de pele e miradas que não consegui vislumbrar, apreender.

 

Saudades do que não foi tocado, do que não foi cheirado, ouvido, sentido, vivido mas que me arrastam como uma ventania, como um furacão, como um torvelinho.

 

Melancolia, linha tênue entre o desespero e a tristeza, limite descontínuo mas firme, condurora dos meus esquecimentos, dos despertares em outros locais onde a imaginação e a vontade me transporta. Melancolia das cidades, vontade de apartar-me de mim mesmo e vagar, de errar como um barco que, em meio à escuridão da noite, encontra a calmaria e, lentamente, depõe suas velas.

publicado por blogdobesnos às 15:28

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