Escritos para você

31
Mar 12

Partilhava o homem de uma amizade sincera com Pedro. Um dia, ambos não mais se viram, e Pedro foi morar muito longe, e acabaram, como ocorre de quando em quando, por se perderem. Anos se passaram e eles passaram a ser, um para outro, uma cálida lembrança, um fio de sonho, passagens e memórias em comum.

 

Em uma noite de inverno, Pedro estava em sua casa quando, de repente iniciou uma ventania muito estranha, incomum. Ao olhar pela janela, notou que as folhas das árvores pareciam imóveis. Tudo, de repente, ficara suspenso; mesmo os sons comuns da rua emudeceram. Então, de onde lhe vinha aquele tremor, aquela sensação repentina de frio, senão…de si mesmo?! Onde estava Benjamim, e porque a lembrança do amigo lhe era tão viva, tão real, tão próxima que praticamente podia escutá-lo, sentir-lhe a presença? Onde, Benjamim, onde você estava, agora, perguntava-se angustiado Pedro, enquanto as sombras deslizavam, imperceptíveis entre Pedro e as janelas?

 

……

 

Em algum lugar ermo, perdido no tempo, Benjamim observava Pedro. Via-lhe o desespero, as lágrimas que acudiam o amigo, mas, sabia, que, independentemente da vida que ambos levaram, dos destinos e das estradas percorridas, estavam mais próximos que nunca. Em breve poderiam, calmamente conversar, enquanto, lá fora, uma chuva miúda anunciava mais uma noite fria e sem luar.

publicado por blogdobesnos às 15:21

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