Escritos para você

31
Mar 12

Há um homem que busca ver o que se esconde sob a chuva que molha as calçadas, as ruas, que se precipita sobre a cidade. Ele está ali, olhando através da vidraça as luzes âmbar das noites, mas seu pensamento está absolutamente longe, distante de tudo aquilo. Sua vontade atravessa a chuva, a noite, e vai perseguir seu desejo. Não, ela não está, não, ela já se foi, e tudo é passado. Há uma intensa sensação de vazio, um ato de resignação que o acompanha nos últimos meses. O homem veste um impermeável, sai para a rua, acende um cigarro e caminha em meio à chuva e ao frio. De certo modo, a água que cai o transporta à infãncia, à casa de madeira onde nasceu, e a lembrança do sorriso de seu pai de repente lhe aquece o coração.

 

Ele anda, anda, e vê luzes em perdidas janelas de apartamentos e ter cruzado por pessoas apressadas. Caminhou serenamente entre a chuva, tentando justamente não pensar, se concentrando apenas na força de suas pernas, em sua respiração e na própria noite. Finamente, entrou em uma cafeteria, improvável, pequena. Havia ali apenas duas pessoas além dele. Pensou que o café lhe faria bem, e foi o que aconteceu. Saiu para a noite, acendeu outro cigarro e continuou andando. O pensamento recorrente apanhou-o em cheio. Lia, as crianças, Fabiana, o amor, a casa, tudo acabado, e cada lembrança era como um alfinete que o feria. Continuou andando.

 

Quando o dia amanheceu, ainda o encontrou ali, como que carregando um peso excessivo que teimava em assoberbá-lo. O sol iluminou-o enquanto ele, o caminhante, buscava timidamente o caminho de volta.

publicado por blogdobesnos às 15:15

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