Escritos para você

31
Mar 12

A fumaça azul do cigarro é diáfana, da mesma cor dos seus olhos. Procuro, aqui e ali registros seus, uma fotografia… talvez algo tenha ficado por aqui, dentro de alguma gaveta, em algum escaninho, perdido entre papéis. Que vontade de uma foto sua, e assim, obcessivo, vasculho o que posso, me perco entre pastas, arquivos, enquanto o tempo vai ceifando as minhas esperanças. Saudade, saudade, dilaceramento da alma, cântico de quem é só. Queria ter você, mas só há recordações, você não está.

 

Talvez eu não devesse falar, mas este desespero é a companhia de quem, como eu, se sente assim, meio sem rumo, vivendo os dias como um fantasma que transita dentro da solidão que me consome. Não quero amores, não quero sequer esperanças: me movo como um boneco de molas, e quando a noite surge, naufrago com ela. Meus navios não chegam ao porto, meus ritmos perderam a cor, meu sonho esvaiu-se. De real, de palpável e de concreto, na minha vida, só a fumaça azul do cigarro.   

publicado por blogdobesnos às 14:37

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