Noite, em alguma grande cidade, em uma megalópole, de preferência. Andar por uma rua desconhecida, entre muitas pessoas, vendo-lhes o rosto, as vestes. Andar errante, sem qualquer horário ou obrigação. A noite e os neóns dominam tudo, enquanto o mundo continua nas suas tentativas de compra e venda.
Mulheres ali pelas esquinas, esperando o óbvio, homens que buscam não se sabe o que e, se eles mesmos soubessem, poriam em primeiro lugar o esquecimento, a volúpia de serem camaleões, seres mimetizados. Caminhar é a grande rota que se vai construindo no espaço e no tempo.
De repente, os bares, os eternos bares para os quais as esquinas são apenas linhas geométricas que existem para que possamos referenciá-los. Entro em um deles, a fumaça viciosa me atinge. Ao canto um trio de blues simplesmente canta: “night and day, you are the one…”.
Sorrio. Finalmente estou em casa.